Violência contra a Pessoa Idosa: Conhecer para Combater

15 de junho, Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, é uma data importante que mobiliza governos, sociedade e instituições, fomentando a discussão sobre as diversas formas de violência praticadas contra os idosos e a necessidade de organizar estratégias para combatê-las, protegendo assim, essa população. Declarada em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa, a data tem como maior objetivo criar uma consciência social e política.

Nesse processo, são elaboradas diversas campanhas que contribuem para que a temática seja mais difundida e chegue ao conhecimento dos idosos e da sociedade em geral. As ações de combate à violência contra a pessoa idosa, porém, não devem ocorrer apenas no mês da conscientização, e sim sempre, através de ações de cuidado, proteção e informação. “As mulheres são mais vulneráveis em casa e os homens, mais agredidos na rua. De ambos os sexos, os mais vulneráveis são os dependentes sociais, física ou mentalmente, sobretudo os que sofrem alterações do sono, incontinência, dificuldades de locomoção e que necessitam de cuidados constantes”, afirmou Cecília Minayo, pesquisadora emérita da Fiocruz.

Inserido nesse contexto, o projeto Viver Melhor, realizado pelo Instituto Família Barrichello, oferece atividades físicas regulares a 1.800 idosos em situação de vulnerabilidade social, através do Método Águia, o que contribui para o combate dessa violência. Como? Proporcionando aos idosos ações que almejam a manutenção não apenas da condição física, mas também cognitiva e social. No projeto, os idosos recebem semanalmente aulas que promovem o desenvolvimento integral e a manutenção da sua independência e autonomia para um envelhecimento mais saudável, com menos fragilidade – o que reduz a dependência -, aumentando o bem-estar psicológico e social por meio das próprias atividades e da socialização.

Atualmente, 90% dos atendidos pelo Viver Melhor são mulheres e, mais da metade dos envolvidos no projeto, recebe entre um e três salários mínimos. Do total, 413 idosos são os únicos provedores financeiros de sua família. Em paralelo, segundo dados do governo federal, em 2018 houve aumento de quase 26% no número de denúncias de violência contra o idoso, no Estado de São Paulo, em comparação com o ano anterior. Na década passada, pouco se noticiava sobre esses casos e escassas eram as informações sobre o assunto. Desde 2011, quando os dados passaram a ser divulgados anualmente, o número de denúncias aumentou em todos os anos. Mas, será que antes os idosos não sofriam violência? A resposta, infelizmente, não é a que gostaríamos de ouvir.

Especialistas apontam que a violência sempre existiu, contudo, eles avaliam que uma das principais razões para explicar o aumento contínuo no número de denúncias se deve à divulgação ampla da temática nas diferentes mídias, além da difusão do Disk 100 (Disque Direitos Humanos) e do próprio Estatuto do Idoso, que estabelece no quarto artigo: “Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”. Propagar a informação, portanto, é uma forma de contribuir no combate à violência, o que é lembrado no dia 15 de junho.


O Instituto Família Barrichello, em suas atividades, fomenta a discussão e a proteção da população idosa, pois acredita que quanto mais conhecemos, mais e melhor podemos combater essa violência. Com o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19, a compreensão do assunto se faz mais do que urgente, uma vez que os idosos (população de risco) estão reclusos em seus lares e mais próximos de seus agressores, estando sujeitos às diversas formas de violência: financeira, física ou psicológica, entre outras, além da maior dificuldade para denunciar. Segundo dados do Disk 100, a maioria das agressões a idosos em 2018 foi cometida nas residências das vítimas (85,6%), por filhos (52,9%) e netos (7,8%).

Mesmo diante do isolamento social, as aulas do projeto Viver Melhor continuam de forma virtual, com os professores gravando vídeos semanalmente e enviando links para os atendidos. Como as aulas estão disponíveis e ‘públicas’ na plataforma YouTube, idosos que são não atendidos pelo projeto também podem acessar o conteúdo para continuarem se exercitando, mantendo a independência e a autonomia para um envelhecimento saudável. Além disso, os idosos do Viver Melhor também se comunicam com os professores e amigos do projeto por meio de grupos de WhatsApp, fortalecendo assim a comunicação, necessidade mais do que fundamental em tempos de confinamento.

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