Um aprendizado capaz de dar sentido à vida

Projeto Viver Melhor transforma rotina de idosos com atividades para exercitar o corpo e a mente

Eunice da Silva, 67, e Julia do Nascimento, 65, não encaram as atividades físicas promovidas pelo projeto Viver Melhor, realizado pelo Instituto Família Barrichello, como mero aprendizado. Para elas, os movimentos dão sentido à vida. Ambas frequentam o núcleo instalado no NCI Irmã Suzanne Cros (Núcleo de Convivência de Idosos), em São Miguel Paulista, distrito da Zona Leste de São Paulo. As atividades seguem o Método Águia, que foi desenvolvido pela coordenadora técnica Cristiane Peixoto.

Julia (à esquerda) e Eunice (à direita), alunas do projeto Viver Melhor.

Eunice nasceu em Salvador (BA), mas mora na capital paulista há 52 anos, onde casou e teve dois filhos, os enfermeiros Fábio e Luciana. Antes de ser mãe, ela trabalhava na soldagem em uma empresa que comercializa peças de rádio e televisão. Atualmente, confecciona cortinas. No atual serviço, ela enxerga com nitidez os benefícios trazidos pelo projeto. “As cortinas são muito compridas, tenho que agachar e levantar bastante. Eu tinha dificuldade. Desde que aprendi a movimentar meu corpo, tiro isso de letra”, contou, orgulhosa.

“Todo mundo pergunta como consigo me mexer tanto aos 67 anos. Eu explico que faço ginástica e isso surte efeito em meu corpo, me faz bem”, completou Eunice, que se inscreveu para o núcleo do Viver Melhor logo no início do projeto. Além da consciência corporal, ela relata que também evoluiu no que diz respeito ao equilíbrio. “Eu tropeçava muito. Eita! Depois que comecei a fazer as aulas, ganhei equilíbrio e isso me deixou super feliz. A ginástica que me fortaleceu e trouxe muitos benefícios para a minha vida, inclusive para a memória”, destacou.

Assim como Eunice, Julia é assídua nas aulas do Viver Melhor. Tanto que, segundo ela, os colegas perguntam se não tem mais nada para fazer em casa. “Eu falo que não tenho mesmo, venho aqui com gosto”, afirmou, rindo. “Gosto da ginástica e sei que todos os exercícios são importantes para mim, principalmente os que envolvem música, pela questão emocional. Além das atividades físicas, gosto muito de escrever, faço poesias e isso estimula a minha memória”, disse.

Julia nasceu em Pacaembu, no interior paulista, e chegou a São Paulo em 1969. Na capital, colecionou diferentes trabalhos, um deles em uma linha de montagem. “Isso que me deixou assim, ligeirinha”, explicou. Mãe de um policial, ela não esconde a desenvoltura para falar. Quando chegou ao Viver Melhor, porém, o comportamento de Julia não era esse. “Perdi a timidez, sou muito ativa. Na primeira semana aqui, já percebi os efeitos. O projeto inclusive me ajudou a superar a perda da minha irmã. Nós éramos muito unidas, nunca vou esquecer ela. Foi a partir do que vivi aqui que aprendi a superar”, afirmou Julia, que antes de encerrar a entrevista, lembrou de mais uma história.

“Ah, deixa eu contar! Eu estava no Rio Grande do Norte no fim do ano passado e quando estava saindo da praia para ir embora, lembrei que tinha deixado as sandálias na areia. Fui imediatamente buscar. Viu só como é importante exercitar a memória?”, brincou.

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