Viver Melhor transforma rotina de idosa em São Miguel Paulista

Dona Guida relata melhorias na qualidade de vida e motivação para realizar atividades do projeto

Dona Guida acorda sempre animada, mas a alegria aumenta duas vezes por semana. Após despertar, ela toma um banho, veste a roupa e calça o tênis antes de ir para o Espaço Alana, perto de onde vive, em São Miguel Paulista, distrito da Zona Leste de São Paulo. Nem sempre foi assim. Há sete meses, o espaço recebe um dos núcleos do projeto Viver Melhor, realizado pelo Instituto Família Barrichello. Aos 61 anos, Maria Carmelita da Conceição Silva, a Guida, frequenta as atividades desde setembro de 2019. No período, a rotina dela foi radicalmente transformada.

“O projeto trouxe muita coisa boa, viu? Eu sou uma pessoa com muitos problemas nas ‘juntas’. Quando eu tomava banho, para vestir a roupa, era um trabalho medonho. Colocava a mão na parede, tentava um agachamento mal feito, com a coluna pifada, era um malabarismo! Agora, faço isso sossegada. Para vestir a meia, era o meu marido que ajudava. Graças a Deus, eu coloco sozinha. Nas aulas de ginástica do projeto, a atividade que eu mais gosto é o agachamento, porque me ajudou bastante. Oxe, como eu melhorei!”, afirmou.

Ao longo da vida, Guida sempre teve autonomia para tomar decisões. Natural de Quipapá (PE), começou a trabalhar na cozinha de um restaurante em São Miguel dos Campos (AL). O objetivo era guardar dinheiro para pagar uma condução e assim chegar a São Paulo. O sonho se realizou há 35 anos, mas nem tudo foi conforme o planejado. “Quando cheguei, lembro que queria voltar para casa no dia seguinte. Fazia frio e estava garoando, e bateu a saudade de minha mãe”, relembrou. Na capital paulista, Guida encontrou emprego como doméstica na casa de uma professora. Depois, encontrou a irmã, que já vivia em São Paulo.

“Fiquei desempregada mais uma vez, meio ‘aperreada’. Pedi para minha irmã para ficar dois meses com ela. Nesse tempo, arrumei outro serviço, um trabalho de limpeza na Gazeta Mercantil. Foi então que arrumei um namorado, ele foi além da conta e me deu uma barriga. Pronto! Estava esperando um neném e morava sozinha, numa cama de abrir e fechar que me deram, com um papelão no lugar do colchão”, disse Guida. Na época, as dificuldades eram múltiplas. “Para você ter ideia de como eu vivia, meu fogão era uma lata pequena de Leite Ninho e duas de Neston, que é maior. Eu enchia de álcool, furava uns buraquinhos do lado e fritava ovo e fazia arroz. Era o que dava. Se puxar o fio da meada, vou chorar, porque foi muito sofrimento”, relatou, emocionada.

Resiliente, Guida apoia as próprias forças na família que construiu. O então namorado, Francisco, é hoje o marido que a acompanha no dia a dia. “Sem vergonha, viu?”, brincou. Da relação nasceu Elizete, a filha mais velha, que trabalha como enfermeira. Depois, vieram Eduardo, que atualmente é funcionário de uma empresa multinacional no setor automotivo, e o caçula Edinaldo, que atua no ramo da contabilidade. Guida também tem dois netos e divide o tempo entre o cuidado com as crianças, a própria casa e o Viver Melhor. O projeto, segundo ela, é o que mantém intacta sua energia.

“Graças a Deus que existe (o projeto), é muito bom para mim. Comecei a fazer as atividades em setembro do ano passado, por meio de uma colega que falou das aulas de ginástica. Moro bem perto do Espaço Alana. Desde que conheci, minha vida melhorou demais. Faço as minhas tarefas sossegada e sem sentir dores. Até o remédio que eu tomo para dor na coluna, eu diminuí. Tem 15 dias que eu não estou tomando, porque melhorei bastante. Aqui, os professores me ajudam a me sentir mais viva, animada. E venho feliz! Pena que são ‘só’ duas vezes por semana”, concluiu Guida.

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