Atividades do Viver Melhor resgatam disciplina e promovem reaprendizado

Atenção: o depoimento e a foto abaixo foram captados antes da pandemia do COVID-19.

Em março, o aposentado Antonio José Vidolin completou 69 anos de idade. Nascido e criado na Vila São José, em Mogi Mirim (SP), ele nunca deixou o local – e garante que de lá não sai. Após dedicar a vida profissional ao trabalho em uma fábrica de papeis, Antonio encontrou no bairro um novo estímulo para cuidar dele mesmo: as aulas do projeto Viver Melhor, idealizado pelo Instituto Família Barrichello, que há 1 ano acontecem no Clube São José e em outros três núcleos espalhados pela cidade – Acojamba (Associação Comunitária Jardim Maria Beatriz), Ginásio Maria Paula e Ginásio do Tucurão.

A esposa, Ana, foi quem o incentivou a começar. Antonio aproveitou a oportunidade para se conhecer melhor. “Sinto que estou reaprendendo. Agora tenho disciplina novamente, coisa que eu já tive, mas fui perdendo com o tempo. A idade vai passando, a gente não percebe e acaba relaxando. Gosto muito de ler e não estava mais lendo, tinha dificuldades inclusive para fazer palavras cruzadas, coisa que eu sempre fiz. Aprendi a mexer no celular e ser disciplinado ajuda nisso: faço o necessário, é uma excelente ferramenta de trabalho, mas sem perder tempo”, disse.

Segundo o aposentado, os exercícios físicos que pratica nas aulas do projeto, conciliados com a vida disciplinada que tenta levar, foram fundamentais no processo de reaprendizado, facilitando inclusive na realização de deveres do dia a dia. “Vira e mexe, eu tinha dor na ‘escadeira’. Abaixava para pegar o lixo e tome dor na ‘escadeira’. Força, eu tenho. O problema é que a cabeça manda a gente fazer alguma coisa e nós não respeitamos os nossos músculos. No projeto, estou aprendendo a educá-los. Melhorei e agora estou bem, viu?” garantiu Antonio, que também faz caminhadas diariamente.

“Na minha rotina, procuro não ficar ocioso. Faço as aulas, ajudo em casa e em tudo que minha esposa faz. Menos passar roupa. Não sei, não aprendi e não tenho paciência para isso”, diz, aos risos. “Uma das coisas que eu gosto de fazer é preparar os alimentos para ela cozinhar. Assim, vou tocando a vida”, afirmou o aposentado, destacando o papel dos professores no Viver Melhor. “Eles têm muita paciência! Velho é fogo, igual João-de-Barro: aprendeu a fazer de um jeito, vai fazer sempre desse jeito”, completa.


FAMÍLIA

Pai de três filhos, Antonio espera com ansiedade a chegada do primeiro neto. Perguntado sobre a relação com a família, o aposentado destacou novamente a influência do projeto. “Ajudou muito na minha relação com os meus filhos. Sabe, eu trabalhava muito, praticamente não vi eles crescerem. Saía e voltava para casa com eles dormindo. Isso é um pecado que eu carrego. Hoje, tenho disposição e energia para estar com eles sempre. Nós nos falamos direto, melhorou demais”, contou.

“Além da questão da disciplina, o projeto Viver Melhor me possibilitou ter uma convivência com outras pessoas, que eu estava sentindo muita falta. Eu vivia em equipe no meu trabalho. Fui supervisor de produção e tinha praticamente 30 pessoas sob minha responsabilidade. Agora estou voltando a ter isso, pessoas a minha volta. Melhorei bastante, e se não tomarmos cuidado, a cabeça da gente pode ser nosso pior inimigo. Estou me conhecendo melhor, já estou sentindo meu corpo forte e minha mente está acompanhando essa melhora”, concluiu Antonio.

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